
Todos nós, por vezes, temos vontade de voltar aos tempos de criança e o que fazemos?
Os que como nós gostamos dos célebres “desenhos animados” e são apreciadores de Vasco Granja fazem a sua busca pelo Bugs Bunny, a maravilhosa Pantera Cor de Rosa, o Tom & Jerry, entre outros.
Ao fazermos uma busca para encontrar um dos nossos filmes de eleição encontrámos “Os Demónios do meu Avô”, realização de Nuno Beato, realizador do qual já conhecíamos a série televisiva Ema & Gui, que adorávamos e nos divertia bastante.
“Os Demónios do meu Avô”, uma longa-metragem portuguesa. Vimos a sinopse e o trailer e a curiosidade foi aumentando e resolvemos ligar ao Nuno Beato, para que nos falasse da sua primeira longa-metragem e contasse a história.
Combinámos uma visita à produtora “Sardinha Em Lata” e ficámos entusiasmados com tudo o que vimos, que nos foi explicado, que nos foi ensinado e ficámos com uma pequena noção de como se faz um filme de animação.

Foi uma conversa deveras agradável e que nos deixou deslumbrados com um mundo que sabíamos existir, mas que nunca tínhamos estado em contato direto com ele.
E começou assim:
Ser realizador, sempre foi um sonho de criança?
O sonho de criança era fazer bonecos. Começou primeiro pelos bonecos e descobri que eles se podiam mexer na animação. Numa fase inicial apaixonei-me mais pelo desenho e posteriormente veio a banda desenhada, que era contar histórias com aquelas personagens que eu ia criando e me levaram a descobrir que se fazia animação em Portugal. Apaixonei-me pela arte e descobri onde é que me encaixava. Comecei como animador e só depois é que passei para a produção e realização.


Mas foi alguma coisa que viu feita por outra pessoa que o marcou em criança, algum filme? Às vezes acontece isso…
Eu não diria uma, diria várias. Eu acho que houve sem dúvida uma pessoa que marcou a minha e muitas gerações, que foi o Vasco Granja e os seus programas com muita variedade de animação, muita coisa diferente como os bugs bunny, aqueles filmes da república checa, o Chunk Maia e que sem dúvida e sem querer acabaram por ter ficado cá dentro. Quando se descobriu a animação e quando descobri que existia…a animação para mim era uma coisa que se fazia lá fora, nunca a olhei como uma possibilidade quando era criança, mas sim o desenho e a banda desenhada que era mais próximo, mais exequível. A animação para mim era um mundo que eu desconhecia completamente, mas as referências vêm um bocadinho daí, vêm também da banda desenhada, do desenho, obviamente dos desenhos animados que via na televisão, e acho que aqui o Vasco Granja teve um papel importante.
Porquê a animação?
A animação vem sobretudo pelo desenho. Depois cheguei a um momento na minha carreira, onde estou agora, quando comecei a dar prioridade a contar histórias e o desenho para mim é a ferramenta, é a minha ferramenta expressiva, digamos assim, eu escrevo as histórias com o desenho, trabalho com argumentistas, neste caso com o Possidónio Cachapa no caso da longa metragem, trabalho com diferentes argumentistas para a parte escrita, mas sinto-me muito mais à vontade a expressar aquilo que eu quero com o desenho, que com a ligação ao cinema a animação vem naturalmente. A animação surgiu acima de tudo quando comecei a perceber que aquelas personagens que eu desenhava, quando era mais miúdo, se podiam mexer e ganhar vida e então daí veio a animação.
A série de animação televisiva Ema & Gui foi um dos grandes êxitos de sua autoria e que é recordada por grandes e pequenos. Qual a sensação, quando percebeu o impacto que teve no público?
Quando comecei a trabalhar no cinema de animação criei muito cedo uma produtora já numa lógica de tentar chegar ao público, a quem tive o desejo de chegar diretamente, porque em Portugal faz-se muito cinema de autor, muita curta-metragem, um cinema que fica, se calhar, fechado num ciclo restrito de pessoas que acabam por ter acesso a esse tipo de conteúdos e sempre tive pena disso, sempre quis chegar ao público em geral.

A Ema & Gui foi provavelmente o primeiro projeto que eu tive com um bocadinho mais desse lado, de chegar mais próximo do publico e fiz um trabalho grande em muitas escolas, fui mostrar o filme, mostrar os livros e falar um bocadinho. Gostei muito da reação direta com o público, neste caso as crianças, foi o que mais me fascinou, porque realmente percebi que uma história e a maneira como a queremos contar chega às crianças e que elas se identificam com ela, cantam música e até fazem perguntas que eu às vezes não estou nada à espera, e esta reação direta com o publico, se calhar é aquilo que mais me apaixona no cinema, neste caso o cinema de animação, porque mais do que ganhar prémios e festivais, é de fato este contato direto, e as crianças, que são sem dúvida o público mais honesto que existe e mais exigente também, às vezes dizem as coisas de uma forma que fico… “uau”
Fá-lo sentir-se voltar à infância como quando era pequeno e via aqueles filmes feitos por outras pessoas?
Eu acho que nós na animação nunca crescemos totalmente, ficamos sempre com um bocadinho de infância em nós,
E isso é muito bom…
e trazemos isso para o cinema de animação o que é um defeito ou um feitio, conforme dizem, de toda a gente que trabalha nesta área, acho que há ali uma parte da nossa infância que não se foi embora e que continua a acompanhar-nos ao longo da nossa vida.
Agora surge “Os Demónios do Meu Avô”, primeira longa-metragem portuguesa em stop motion . Qual foi a sua fonte de inspiração?
A ideia original começou quando comecei a pesquisar uns vídeos na internet, a pesquisar não, passei por eles como quando passamos normalmente nas redes sociais e então via uns vídeos onde haviam pessoas no escritório, ao computador e que de repente pegavam nele e o atiravam pela janela e partiam tudo, este tipo de vídeos que vemos de vez em quando, que olhamos com a distância que temos de um telemóvel e do nosso olhar e que a primeira coisa que fazemos é rir porque parece-nos engraçado, mas depois vem o outro lado que nos faz pensar um bocadinho, porque é que alguém num mundo civilizado em que vivemos, num mundo com tudo, com todos os recursos à nossa volta, com tudo mesmo, chegamos a este ponto e interrogamo-nos do porquê. Tudo isto que acontece deu-me a vontade de contar a história de uma personagem, de como é que ela chegou até ali, e foi este o ponto de partida para criar esta narração, foi assim que nasceu com um misto de muitas outras influências.
Na altura quando comecei a escrever a base desta história, a ideia original, e depois para a escrita do guião entrou o Possidónio Cachapa e mais tarde a Cristina Pinheiro, mas quando comecei com a ideia original também estava com uma casa numa aldeia e então peguei nesta relação do campo com a cidade, que era algo que eu também já sentia em mim, essa necessidade de contraste entre as duas coisas
Foi buscar a tradição com a parte moderna…
Trouxe isso também para o filme e fui à procura de influências mais específicas, aí já a trabalhar com o Possidónio Cachapa, porque precisava, por exemplo, de descobrir como é que ia representar aqueles demónios que eram neste caso feitos pelo avô de Rosa e fui parar a Barcelos, à Rosa Ramalho, que tem umas figuras incríveis, principalmente a Rosa Ramalho, embora não tenha visto só o trabalho dela, vi o trabalho da Júlia Ramalho e não só da família Ramalho, mas também de outras autoras da zona, mas acima de tudo o trabalho da Rosa Ramalho foi o que mais me fascinou, não é que não o conhecesse já, mas estive a explora-lo melhor e isso sim sem dúvida foi a minha grande influência para criar aqueles demónios porque eu tinha de sair do meu registo de desenho para conseguir entrar num registo muito mais puro.

Muito mais natural?
Não, muito mais puro, muito mais do povo. Tenho um desenho viciado, porque fiz aulas de desenho, aprendo desenho e estou sempre a desenhar, obviamente acabamos por viciar o nosso trabalho e eu queria um desenho muito mais puro, muito mais genuíno, muito mais próximo do povo e muito mais próximo do avô da Rosa.
E foi buscar essa imagem do demónio um bocadinho à tradição portuguesa dos tais mitos. Essas imagens são muito à volta dos mitos portugueses, das tradições
Sim, isto depois está muito ligado com as representações, um bocadinho do que nós temos, não só em Portugal, mas mesmo noutros países. Acabei por ver várias ligações próximas e o povo acaba por ter esta representação demoníaca, digamos assim, muito idêntica de país para país pelo menos nas origens, estamos a falar aqui de uma arte pagã que vem das referências antes do cristianismo, tal como os caretos que foi outra influência para o filme e que também é outra representação do demónio, de outra zona do país próxima, mas que também tem este lado de representação do povo, dos demónios e, neste caso, também às vezes ligado às plantações, diz-se de certezas absolutas, uns dizem que tem origem céltica, mas não temos ainda uma origem definida em termos históricos.
Há muita mistura do cristão com o pagão
Há muita mistura, mas a zona de Trás-os-Montes foi uma zona que mais me influenciou para as paisagens deste filme porque é uma região onde realmente sobreviveu uma espécie de cultura do povo, mais pagã, talvez pelo isolamento que a igreja acabou por permitir, provavelmente a única zona do país onde isso se manteve, esse tipo de culturas mais ancestrais e era aí que eu queria ir, às origens, a essas origens, e daí ter ido parar a Trás-os-Montes, a Barcelos, para recolher essas influências todas, para construir uma ficção que eram os demónios do meu avô
Do que trata esta longa-metragem?
O demónio do meu avô conta a história de Rosa que é a personagem principal. Rosa foi para a cidade em pequena, foi estudar para a cidade, para a faculdade e acabou por ficar lá a trabalhar. O avô de Rosa era o único familiar próximo dela, vivia no campo, onde ela nasceu, neste caso em Trás-os-Montes, numa aldeia perdida, e a Rosa começou a afastar-se cada vez mais da única pessoa de família que ela adorava que era o avô e eles comunicavam-se muito por carta numa fase inicial, mas depois ela começa a não ter tempo para lhe escrever, a não ter tempo para lhe ligar, a não ter tempo para lhe atender o telefone e de repente o tempo acaba, o avô morre, e a Rosa vai à procura, em “burn out”, foi a gota de água, porque o trabalho sobrepôs-se a tudo o resto, ao cuidar do outro, ao estar com o outro, e esta história fala disso, da relação que nós necessitamos de ter com o outro e acabamos muitas vezes por esquecer e abandonar pela dedicação…
Isso acaba por ser de uma forma inconsciente
sim, sim, muitas vezes por falta de tempo. Isso é algo que eu próprio sinto e provavelmente muita gente se identifica e o filme fala muito disto, da necessidade que nós temos das relações humanas e que cada vez nos afastamos mais, nos afastamos delas. Até esta questão do Covid veio ajudar, as redes sociais onde as pessoas falam mal umas das outras, com os demónios pelo meio, os demónios que nós alimentamos…e o filme fala disto, estes demónios que nós vamos alimentando e que só nos afastam do outro, e a Rosa vai à procura do outro eu, das origens e vai encontrar isso quando chega ao campo, vai encontrar a relação com o outro, a proximidade com o outro, a procura de uma nova forma de estar, de uma nova forma de viver, e é sobre isso que fala esse filme
Quantas pessoas e profissões estão envolvidas nesta coprodução internacional?
Muitíssimas, não vou conseguir enumerar todas, porque não sei, mas posso explicar a estrutura base. Isto é uma coprodução entre Portugal, Espanha e França. Nós em Portugal fizemos a construção dos cenários, fizemos todo o desenvolvimento inicial que inclui a escrita do guião, o desenho do storyboard, o desenho das personagens, o desenho dos cenários e depois a seguir entrou Espanha a construir as personagens e construiu-as a serem animadas no filme, com as referências que lhes passávamos de Portugal .Enquanto essas personagens estavam a ser construídas, nós estávamos a construir aqui os cenários, depois as personagens vieram para Lisboa para serem animadas, e toda a animação foi feita em Lisboa. Ao mesmo tempo que estávamos a fazer a animação stop motion, em França começaram a fazer a animação 2D, 3 D 1 look 2 D, que aparece no inicio do filme, toda essa parte inicial foi feita em França, com uma equipe a trabalhar em paralelo, enquanto nós estávamos aqui a filmar em Lisboa, depois tudo isso foi junto, misturado em Espanha, com mistura final e a pós-produção final, o som fechado também em Portugal e Espanha até ao resultado final, portanto isto envolve várias equipes, Em Portugal durante as filmagens estariam cerca de umas 30 pessoas, em França durante a animação cerca de umas 15/20 pessoas, na construção de personagens em Espanha também umas 15/20 pessoas, na verdade são várias equipes juntas. Se falarmos de todo o filme e juntarmos toda a gente teremos um total de cerca de 200 pessoas, mas também aqui pelo meio há os músicos, os atores, uma série de intervenientes que não estão durante o tempo todo, estão apenas durante uma parte do processo e às vezes é difícil fazer o cálculo exato de quantas pessoas são. Se virmos a ficha técnica, nunca mais acaba, está muito tempo a passar, é sem dúvida muita gente e a produção teve de trabalhar até à data com mais pessoas envolvidas.
Mais ou menos durante quanto tempo, dois anos…dez anos…
Dois anos de cada vez, na verdade. Nós tivemos dois anos de desenvolvimento iniciais onde foi só feito aqui, com uma equipe muito reduzida. Posteriormente ganhámos o apoio à produção e desde aí até acabar o filme falamos de mais cinco, portanto no total estamos a falar de sete anos.
É a parte de que o grande público não tem noção…
Que técnicas utilizou para esta realização?
As técnicas de base neste filme é o stop motion em primeiro lugar e depois temos o 3D.
O início do filme que era para ser em 2D, desenho, acabou por ser em 3D, feito em computador digital.

É um contraste interessante porque também representa aqui dois mundos e duas formas diferentes de Rosa, a personagem principal, a olhar para o exterior, que é a forma como eu queria que o público visse a personagem, de uma maneira diferente, quando ela está na cidade e quando ela vai para o campo e a técnica ajuda-me a reforçar isso, que é algo que a narrativa nos traz.
E os bonecos foram todos feitos…
Os bonecos foram todos feitos inicialmente em stop motion e depois de serviram de base para fazer o 3D
Mas esses bonecos são feitos em que material?
Os bonecos e os cenários têm diferentes materiais.
Os bonecos são maioritariamente em silicone com um esqueleto interior de rótulas de aço e outros metais para que se consiga mover frame a frame, as caras por exemplo, são todas substituídas e são em resina, são modeladas em 3D e depois impressas em resina e pintadas uma a uma. Só para termos uma noção geral, cada Rosa tem aproximadamente 90 caras diferentes



De boca aberta, de boca fechada….
um Ah, um Uh, um Ão, um Ah a rir, um Ah um pouco chateado, um Ah com sobrancelhas para baixo, com sobrancelhas para cima, há aqui diferentes expressões.
Depois os cenários, que eu queria que tivessem um aspeto muito próximo do barro, e não fazia sentido trabalhar com o barro, porque tinha de ir ao forno, e na realidade não o usamos embora seja a estética principal de todo o filme.



A opção foi o silicone nas personagens e nos cenários acabámos por utilizar uma massa de modelar, muito utilizada pelas crianças, que é a DAS. Fomos patrocinados com 400kg de massa modelar e na verdade nós usámos praticamente os 400kg, posso dizer que no final sobraram só 2 ou 3 pacotes. Foi muita massa de modelar, obviamente com outros materiais por baixo, como esferovite como revestimento e uma mistura de matérias-primas que se vão usando, estas foram as duas bases, o DAS como base modular e o silicone para as personagens, foram talvez os materiais principais.
Como tem sido recebido o filme no estrangeiro?
Para mim realizar uma longa-metragem foi sem dúvida uma aventura. A minha primeira longa-metragem, foi mesmo uma grande aventura, eu sou inexperiente nisto.
Faço cinema de animação há mais de 20 anos, mas nunca tinha feito uma longa-metragem e fazê-la em Portugal com uma estreia no festival de Annecy, que é o maior festival de animação do mundo, para mim já foi fantástico, ou seja, é uma entrada com o pé direito
Ser a primeira e ganhar o segundo prémio…
no resto do mundo, porque já há uma seleção e a da Annecy é muito precisa, a seleção de filmes é mesmo muito rigorosa, para mim foi sem dúvida importante este primeiro passo, que abriu muitas outras portas.
Neste momento estamos a fazer o circuito de festivais e o filme está a ser, na minha opinião, bem recebido e tivemos 3 prémios até agora, critica internacional muito positiva, muito boas opiniões, é preciso dar tempo ao filme para ver até onde pode chegar. Estou contente tendo em conta que é a primeira longa-metragem, não posso estar à espera de chegar e ir já aos Oscares, não é esse o meu objetivo, seria demasiado ambicioso, mas acho que para as primeiras longas-metragens que estão a sair em Portugal conseguirmos entrar logo a competir diretamente com mercados como a França ou Espanha, mercados que estão sem dúvida muito mais à frente que o mercado português, estão noutro registo, estão dez anos à frente, é muito bom e espero que hajam muito mais longas metragens em Portugal.
A realização noutra vertente que não seja a animação, já surgiu como perspetiva futura?
Eu já realizei pequenas coisas que envolveram imagem real também, mas para já eu posso dizer que a minha linguagem é o desenho, a minha forma de expressão é o desenho, se um dia vou realizar imagem real? Não sei. Pode acontecer, não tenho essa ambição. Na verdade, a realização é contar histórias, e eu posso contar histórias com desenho ou com outra ferramenta qualquer, como por exemplo a imagem real. Eu gosto muito do desenho, identifico-me muito com o desenho e ao contrário do que às vezes o público geral acha, o cinema de animação tem o mesmo peso que o cinema de imagem real. Já tem acontecido as pessoas perguntarem, mas não fazes cinema a sério? Não, o cinema de animação é cinema a sério, não necessariamente o comercial, não tem de ser só cinema infantil e cómico, podemos ter drama, e temos, podemos ter documental, podemos ter tudo e mais alguma coisa que existe em imagem real, nós podemos ter tudo em animação embora não chegue ainda ao grande público, já esteve pior, mas mesmo assim as fatias ainda são ligeiramente pequenas
Que novo êxito podemos esperar, num futuro próximo, do realizador Nuno Beato?
Primeiro ainda temos de considerar este um êxito, ainda não sei, vamos ver, é preciso dar tempo.
Já estou a pensar num próximo projeto com um primeiro apoio ao desenvolvimento dado pelo ICA e vou começar principalmente no próximo ano 2023 a trabalhar nele em força, não sei dizer quanto tempo, porque se o outro levou 7 anos, se calhar daqui a sete anos voltamos a falar.


