Dois em cada três portugueses já enfrentaram tentativas de fraude digital
A nova edição do Barómetro Literacia Financeira Digital revela um país hiperconectado, mas ainda vulnerável: confiança baixa, processos complexos e uma relação ambivalente com a Inteligência Artificial.
O Barómetro Literacia Financeira Digital, apresentado pelo Doutor Finanças no Dia Internacional da Literacia, traça o retrato de um país que vive online, mas que ainda não domina plenamente os riscos e ferramentas do universo financeiro digital.
66% dos portugueses foram alvo de tentativas de fraude no último ano — sobretudo smishing, phishing e vishing. Apesar da exposição elevada, 31% continuam pouco confiantes na capacidade de identificar burlas, e quase metade das vítimas não apresentou queixa.
A digitalização avança, mas nem sempre com fluidez: 47% já desistiram de operações financeiras por serem demasiado complexas, e 34% sentem-se pouco ou nada confiantes na utilização de serviços financeiros digitais. A idade e a escolaridade continuam a marcar diferenças profundas na adoção e segurança digital.
O estudo revela ainda que 36% não consomem conteúdos sobre dinheiro, e que as redes sociais já influenciam decisões financeiras de um em cada quatro portugueses. Quanto à Inteligência Artificial, 48% não confiam nem utilizam ferramentas de IA para temas financeiros, embora os mais jovens revelem maior abertura.
Num país onde a tecnologia está em toda a parte, o desafio já não é o acesso — é a capacidade de navegar o digital com autonomia, informação e segurança.



